Meu
nome: Maria Raquel de Oliveira dos Santos. Tenho hoje vinte e sete anos. Sou
viciada em drogas desde os meus treze anos, quando meu tio descobriu que eu era uma
viciada, tentou me internar em uma clinica de recuperação, fiquei por lá uns
trinta dias depois fugir, virei moradora de rua, quando fiz dezessete anos um
amigo meu me apresentou ao crack. Bem para que vocês possa entender acho melhor
ir do inicio.
Eu
morava no interior, comecei a fumar cigarros com os meus amigos do colégio
quando tinha treze anos na quinta serie. Fumávamos escondido para que nosso pai
não descobrisse, chupávamos bastantes balas e quando chagássemos em casa escovávamos
bastante os dentes para que nossos pais não percebessem o cheiro.
Esteve
um dia que saímos para acampar, lembro-me que um amigo chamado Rick levou um
litro de conhaque e um maço todo enrolado com papel alumínio, ele disse que era
maconha. Eu senti meu coração acelerar, pois já havia ouvido muita coisa ruim
sobre a maconha. Mas quando senti aquele cheiro, acendi um cigarro para não
ficar de fora, deu uma colada no conhaque e eles me ofereceram, eu não aceitei
logo de inicio. Daí ficaram me chamados de careta, e foi à maior gozação.
Decidi então experimentar, nossa foi uma viajem massa!
Fumei
maconha e daquele dia em diante nunca mais parei, mas achava que não iria torna-me
uma viciada. Como estudava no período matutino comecei a filar a ultima aula
para ir fumar maconha com a turma, minhas notas começaram a cair e quando me
dei conta o ano havia terminado, e acabei repetido de serie.
Nem
liguei para nada, pois no ano seguinte recuperaria. Bem não foi bem assim,
repeti a 5° serie por mais três anos seguidos, ate desisti de vez dos estudos, foi
apresentado à cocaína com dezessete anos e no mesmo ano o crack, no inicio
fumávamos junto com a maconha, depois passamos a usar apenas o crack, fazia uma
viagem impressionante, esquecia de todo os meus problemas nesta época eu já
havia me tornado uma moradora de rua. Voava em uns lugares distantes, flutuava
me sentia leve como pluma. Às vezes parecia que estava chegando ao orgasmo, não
era algo melhor que isso. Pena que este efeito durava pouco tempo e para continuar
esta viagem precisava continuar usando a droga.
Já
roubei, já fiz sexo com pessoas do mesmo sexo só para consegui a dinheiro para
compra a droga. Esteve uma vez que fui tentar assaltar um cara, quando consegui
pegar a carteira dele e me virei para fugir, levei um tiro nas costas e fiquei
lá caída no chão sentindo meu sangue correndo entre meus dedos, sentia um frio
profundo. Passou em minha frente em fração de segundo toda a minha vida, pensei
que iria morre ali como indigente. Sem pai sem mãe longe de casa. Ouvir as
sirenes.... acho que havia desmaiado e quando acordei estava no hospital,
fiquei por uns trinta a trinta e cinco dias. Os primeiro dias foram os piores,
sentia fortes dores de cabeça, um aperto profundo no coração, contorcia todo
meu corpo naquela maca. Foi o pior momento da minha vida. A bala atravessou a
minha coluna. Tive que usar um colete por um ano e meio, mas graças a Deus
consegui me recuperar, neste meio tempo meus amigos fugiram de mim, um primo
meu me encontrou e me levou de volta para casa, descobri que tenho o AIDS, que
mais cedo o mais tarde irei morrer.
Arrependo
de tudo que fiz com a minha vida, não casei e com certeza não casarei mais,
quem vai querer se casar com uma aidética? Não tive filho. Não consigo emprego
e por onde passo as pessoas nem me complementam, já pensei ate em cometer
suicídio, mas tenho medo de não ir para o céu. Tenho que enfrentar a vida que
escolhi e morrer como todo mundo morrer um dia....