segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

SAMBA (18/08/05) JOSÉ LEOPOLDO


Eram tantos ritmos, que eu até me confundia,
aos sons dos instrumentos:
repique, cuíca, bandolim, reco-reco, pandeiro e o cavaquinho.
Aconteciam os pagodes
nas celebres festas das casas das tias baianas,
onde de um lado, os pobres recém – libertos,
moradores dos cortiços do Rio

recitavam seus versos nas rodas de capoeira,
a famosa Tia Ciata!
 O samba como consolação.
O samba chegava fazendo graça,
Donga registra Pelo Telefone, quase um maxixe.
Daí o começo da profissionalização da música popular;
o nascimento do samba.
Pixinguinha, um do mais importante compositor,
esse ritmo cresceu com a ajuda do rádio. 
Eu não devia dizer,
mas esse som
esse samba
bota agente mal acostumado.
No samba alivio as minhas dores,
cultivada durante o período incerto,
assim veio o grande compositor Ari Barroso
com Aquarela do Brasil.
Sem medo de perder as ilusões do samba de Noel Rosa
querendo que o povo se anime,
não poderia esquecer-me do ilustre Dorival Caymmi!
Agora que ficou marcado,
mas do que antes
sem duvidas de sombra,
e mesmo com o impacto da segunda guerra
resistiu e, resiste o samba.

NEGRO (23/10/02) JOSÉ LEOPOLDO


Venho de uma família negra,
 e negro eu sou...
Um negro lutador e vencedor.
Um negro que lutou
pela sua liberdade,
pela paz e pelo amor.
Sou um negro sonhador,
e vivo da sabedoria e da alegria.
Tenho forças,
mas só servem para serem
 usada em trabalho.
E além de tudo me dizem:
“que negro desgraçado!”
E ainda tenho que ser castigado,
de todo jeito sempre quer
ver-me chorando.
Mas se choro hoje
é de alegria,
apesar das marcas
que carrego em mim.
Agora o que mais queria conseguir,
e não ligo para o que o povo diz,
sou negro mais sou feliz.




Obra protegida por lei, ficando proibida e reprodução total o parcial sem autorização do autor.

REMORSO INFERNAL (30/06/05) JOSÉ LEOPOLDO



                                     

Lá ia eu, de bolsos vazios;
chutando os pedregulhos do caminho,
seguindo cabisbaixo sem olhar para o céu.
Meu blusão de couro,
queria eu, acreditar em um ideal;
seguia, apenas seguia.
Para ser sincero, seguia sem direção.
No meu olhar dava para notar a minha dor,
puxa vida!
a minha musa querida me abandonou.
 Queria ignorar esse sofrimento
e acreditar em um ser que tenha piedade,
que veja o meu horror.
Mais não aparece ninguém
percebo que essa dor é só minha.
Junto a minha tristeza, e também os meus remorsos,
  onde restam somente lamentos e sonhos.
Sonhos de amores passados,
e eu um pobre coitado;
esfarrapado.
Transporto na minha face ferramentas leais,
dignas de um homem.
Levo no meu coração uma paixão,
que nem a própria morte dará fim.
Mas, o que me mata é esta insegurança maldita,
que vida!
E esses lamentos que insistem em me torturar,
 nem pedras encontro mais no caminho para poder chutar,
apesar desse inferno sem fim.
Inquieta-me, e apenas dor restará,
nesse meu peito ferido pelo tempo.
E só lamento.
 Tenho que resolver antes esse meu sofrimento. 


Obra protegida por lei, ficando proibida e reprodução total ou parcial sem autorização do autor.

DELÍRIO NOTURNO

José Leopoldo 04/02/2012 as 00h05

É no anoitecer que vejo clarear a nuvem negra sobre mim
Enobrecido, juro loucuras nas águas profundas do Paraguaçu.
Sonho feito alma penada a vagar neste breu,
Já que as luzes se apagaram e meu maior desejo já morreu.
Não sou desastrado assim como me chamam,
Sou um louco bondoso com quem me ama.
Falo às vezes solitário comigo mesmo,
Insano, vasta ilusão.
Neste caso finjo ser perfeito e deixo passar despercebida a doideira do mundo
Acabo por aceitar como amiga e companheira a solidão.
Não choro mais como antes,
Não finjo que esta tudo bem, não vivo da hipocrisia
Que se segue adiante
Das sobras da nação.
Se fosse eu um vagabundo desmiolado,
Mas julgam-me doido, talvez por saber demais.
Ninguém vem me aquecer deste frio
Sinto no peito o tremendo vazio.
Esta indiferença que me mata.
E eu aqui acordado ainda uma hora dessas,
Sem sono revoltado com o sistema do qual faço parte.




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