Mauricio e Antonio, dois bóias-frias, terminaram o trabalho e foram para a beira da estrada esperar o carro que os levaria de volta à cidade. No ponto de encontro, encontraram outros colegas de profissão. Jogaram suas bolsas no chão e sentaram em cima delas, ansiosos para que o tempo passasse mais rápido. De vez em quando, um deles se levantava para esticar as pernas.
De longe, perceberam que estavam sendo observados por um policial militar. Olhavam de relance, desviando o olhar para que o policial não notasse. Comentaram entre si, tranquilizando-se, pois não eram bandidos e não tinham motivo para ter medo.
O policial entrou na base e a tranquilidade voltou. De repente, quatro policiais fortemente armados saíram, parecendo prontos para enfrentar uma guerra. Todos ficaram aflitos, pois não estavam acostumados com aquela situação. Os policiais se aproximaram, mandando todos ficarem de pé e chamando-os de vagabundos e outros insultos. Um senhor e uma senhora, acompanhados de suas crianças, que também estavam ali, levantaram-se, mas os policiais pediram para que se sentassem, pois não era com eles.
Os policiais exigiram que abríssemos as mochilas, nos tratando como suspeitos. Claro que éramos suspeitos, estávamos todos sujos e carregávamos mochilas velhas. Não adiantou dizer que éramos cidadãos, que estávamos trabalhando e que apenas esperávamos o carro que nos levaria de volta para casa. Abrimos as mochilas, revelando apenas roupas sujas. Mostramos nossos documentos e o dinheiro que tínhamos ganhado. Eles nos interrogaram sobre o dinheiro, questionando como o tínhamos conseguido.
Procuraram por registros policiais, os quais nunca tivemos. Enfim, o ônibus chegou e estávamos ali, ainda sendo abordados. O motorista parou, esperando por nós e nos pressionando a entrar: 'Vamos, senão irei deixar vocês aqui'. Pedimos aos policiais, com todo o desespero, que nos deixassem ir embora, implorando pelo amor de Deus, explicando que não éramos vagabundos nem traficantes. Eles sorriram e nos liberaram.
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