quarta-feira, 3 de julho de 2013

Raquel: Sexos, Drogas e Suas Consequências




I CAPITULO
Estou fazendo um esforço muito grande para poder começar a contar tudo isso para você...
Bom eu penso que minha vida foi um pouco complicada, minha mãe foi mãe solteira aos dezoito anos. Meu pai nunca me ajudou em nada e eu só o conheci por que quando eu tinha onze anos na quarta serie exigiram que pusessem o nome do pai na minha certidão. Então só por este motivo eu o conheci.
Voltando um pouco ao passado, quando eu tinha mais ou menos cinco anos, minha mãe engravidou da minha irmã Érica que nasceu prematura com sete meses, com isso minha mãe foi morar com o meu padrasto e levou-me para ir morar com eles.
As coisas não melhoram muito e sempre que eu cometia algum erro a minha mãe ficava do lado dele e nunca do meu. Depois da minha irmã ela teve gêmeos. Quanto eles já haviam crescidos um pouco, já me humilhavam de um jeito que eu nem parecia irmã deles. Mandava-me ir embora de casa quase todos os dias eu não podia fazer nada, não podia ter amigos e sempre que saia para brincar com as minhas amigas na volta eu apanhava muito. Ainda tinha que fazer as coisas dentro de casa; lavar roupas, fazer a comida, café, limpar a casa e olhar os meus irmãos para minha mãe buscar mangaba e caju. Quando ela chegava era eu quem tinha que ir vendar as mangabas e os cajus na rua. Não imagina a vergonha, passar na rua com balde na cabeça e todo mundo me olhando.
Meu padrasto me batia tanto que às vezes nem conseguia chorar, só soluçar. Batia em de bainha de facão, às vezes eu era acordada com uma surra e nem sabia o motivo por que estava apanhando, talvez estivesse dormindo um pouco mais. Apanhava de sinto, sandália, chicote, vara o que ele encontrava pela frente me batia, até na minha mãe ele batia. Eu era muito pequena e não podia fazer muita coisa. Lembro-me que teve um dia que ele chegou bêbado daí pegou minha mãe pelos cabelos deu um soco tão forte que ela caiu no meio da rua e quando ela levantou para correr, ele já esta em cima dela esmurrando-a. Se os vizinhos não o tiram ele iria matá-la eu chorava muito, mas não podia fazer nada era apenas uma criança.
Eu ainda tinha um problema muito serio e sempre fazia xixi na cama. Esteve um dia que ele pegou o colchão colocou em minha cabeça, começou a me bater da porta de casa até chegar ao rio. Lavei aquele colchão com um ódio tão grande que chegava dá um nó em minha garganta que engolia o cuspe com uma dor danada. Meu coração chorava junto comigo, meu corpo parecia que não iria para mais de tanto tremer. O pior é que a minha mãe viu tudo e não disse uma só palavra. 
Esteve um dia em que derrubei uma jarra no chão sem querer, ele pegou, falei que tinha sido sem querer. Ele nem quis saber, pegou a bainha de facão e me deu uma surra, fiquei roxa e toda cortada e cheia de dor. Chegou um dia em que não agüentando mais fui mostrar para minha avó.
Vovó se revoltou e levou-me para ir morar com ela, todas as noites eu chorava por que sempre achava que a minha mãe não me amava, via que ela tratava todos os meus irmãos com tanto carinho, mais nunca se lembrou de mim, sempre me rejeitando. Ela nunca se lembrava do meu aniversario e isso sempre me deixava mais triste, meu pai não lembrava que eu existia, nunca se importou em perguntar se eu estava bem ou mau nem nada.
Quando eu vim morar com a minha avó tudo melhorou, sempre amei a minha avó, ela é a minha mãe, meu pai, é tudo que mais preciso para viver.
Com o passar do tempo passei a lembrar do meu passado e quando ia dormir, sempre acordava no meio da noite com fortes pesadelos, acordava chorando. Comecei senti novamente um aperto danado em meu coração. Algo estranho se apoderou de mim e dizia que era para eu acabar com a minha vida, dizia que era a única saída de acabar com o meu sofrimento era o suicido.  
Fui pega minha prima na escola daí passei no supermercado da praça para comprar o veneno, comprei Raticida ao qual paguei dois reais.
Antes li todas as instruções, vi que era muito perigoso, chorei bastante neste dia. Acabei escrevendo uma mensagem que tenho ate hoje guardada em meu caderno. Ficava pensando na minha família, nos meus amigos. Tomei banho me arrumei todinha para ir ao Colégio. Então, tomei o veneno e joguei o copo fora para ninguém dos meus familiares tocarem.
Fui para o colégio normalmente como se não estivesse acontecendo nada, cheguei sem falar com ninguém, neste dia sentei em uma cadeira no canto direito da sala. Abri meu caderno, encostei a cabeça na parede. Derrepente comecei senti mal. Fiquei mais desesperada ainda quando minhas amigas ficaram sabendo e começaram a passarem mal também, por minha culpa. Logo a noticia se espalhou e o colégio inteira já sabia da noticia. Vinham todos para cima de mim perguntando o porquê eu havia feito aquilo? Isso só piorou minha situação. Comecei a ficar inchada, meu corpo ficou vermelho, minha boca começou a sagrar. Levaram-me ao hospital, cheguei lá desmaiada.  Quando acordei estavam fazendo lavagem estomacal em mim. Nossa era muito ruim e doía muito. Fiquei uma semana internada.
Quando fui para casa e saia na rua todo mundo fica me olhando e fazendo chacota da minha cara, ficam me vendo como se eu fosse de outro mundo. Então pude perceber quem era meus amigos de verdade neste momento.
Comecei a fazer tratamentos com a psicóloga e a psiquiatra, pois delirava muito e achar que todas as pessoas que tentavam suicidar como eu depois de mortas vinham falar comigo, para mim era real, mas a psicóloga e a psiquiatra disseram-me que tudo aquilo era coisa da minha mente. Comecei a tomar remédios para consegui dormi e para me controlar quando começasse a delirar e a ficar nervosa, caso contrario quebrava tudo em minha frente.
Tomei remédios durante um ano. Parei, mesmo assim ainda hoje sinto dores fortes no estomago às vezes no coração, sinto pontadas na cabeça tão fortes que choro, tenho também sintomas de gastrite.
Se eu pudesse voltar ao tempo e arrumar tudo eu juro que não teria feito isso, tenho certeza que todos que já tentaram isso no mundo e não estiveram êxito se arrependeram tanto quanto eu.
Não gosto de ficar relembrando desta historia, por que é sofre duas vezes. Sinto  muita dor de cabeça.  

2 comentários:

Pedro Sibas disse...

Bom trabalho nobre colega das artes, vamos unir forçar pra levar o nome de nossa cidade como referência de cultura.

Aline disse...

Parabens José Leopoldo,gosto muito do seu trabalho...Felicidades, espero que você alcançe os seus objetivos!