I CAPITULO
Estou fazendo um esforço
muito grande para poder começar a contar tudo isso para você...
Bom eu penso que minha vida foi
um pouco complicada, minha mãe foi mãe solteira aos dezoito anos. Meu pai
nunca me ajudou em nada e eu só o conheci por que quando eu tinha onze anos na
quarta serie exigiram que pusessem o nome do pai na minha certidão. Então só
por este motivo eu o conheci.
Voltando um pouco ao passado,
quando eu tinha mais ou menos cinco anos, minha mãe engravidou da minha irmã
Érica que nasceu prematura com sete meses, com isso minha mãe foi morar com o
meu padrasto e levou-me para ir morar com eles.
As coisas não melhoram muito
e sempre que eu cometia algum erro a minha mãe ficava do lado dele e nunca do
meu. Depois da minha irmã ela teve gêmeos. Quanto eles já haviam crescidos um
pouco, já me humilhavam de um jeito que eu nem parecia irmã deles. Mandava-me
ir embora de casa quase todos os dias eu não podia fazer nada, não podia ter
amigos e sempre que saia para brincar com as minhas amigas na volta eu apanhava
muito. Ainda tinha que fazer as coisas dentro de casa; lavar roupas, fazer a
comida, café, limpar a casa e olhar os meus irmãos para minha mãe buscar
mangaba e caju. Quando ela chegava era eu quem tinha que ir vendar as mangabas e
os cajus na rua. Não imagina a vergonha, passar na rua com balde na cabeça e
todo mundo me olhando.
Meu padrasto me batia tanto
que às vezes nem conseguia chorar, só soluçar. Batia em de bainha de facão, às
vezes eu era acordada com uma surra e nem sabia o motivo por que estava
apanhando, talvez estivesse dormindo um pouco mais. Apanhava de sinto,
sandália, chicote, vara o que ele encontrava pela frente me batia, até na minha
mãe ele batia. Eu era muito pequena e não podia fazer muita coisa. Lembro-me
que teve um dia que ele chegou bêbado daí pegou minha mãe pelos cabelos deu um
soco tão forte que ela caiu no meio da rua e quando ela levantou para correr,
ele já esta em cima dela esmurrando-a. Se os vizinhos não o tiram ele iria
matá-la eu chorava muito, mas não podia fazer nada era apenas uma criança.
Eu ainda tinha um problema
muito serio e sempre fazia xixi na cama. Esteve um dia que ele pegou o colchão
colocou em minha cabeça, começou a me bater da porta de casa até chegar ao rio.
Lavei aquele colchão com um ódio tão grande que chegava dá um nó em minha
garganta que engolia o cuspe com uma dor danada. Meu coração chorava junto
comigo, meu corpo parecia que não iria para mais de tanto tremer. O pior é que
a minha mãe viu tudo e não disse uma só palavra.
Esteve um dia em que
derrubei uma jarra no chão sem querer, ele pegou, falei que tinha sido sem
querer. Ele nem quis saber, pegou a bainha de facão e me deu uma surra, fiquei
roxa e toda cortada e cheia de dor. Chegou um dia em que não agüentando mais
fui mostrar para minha avó.
Vovó se revoltou e levou-me
para ir morar com ela, todas as noites eu chorava por que sempre achava que a
minha mãe não me amava, via que ela tratava todos os meus irmãos com tanto
carinho, mais nunca se lembrou de mim, sempre me rejeitando. Ela nunca se
lembrava do meu aniversario e isso sempre me deixava mais triste, meu pai não
lembrava que eu existia, nunca se importou em perguntar se eu estava bem ou mau
nem nada.
Quando eu vim morar com a
minha avó tudo melhorou, sempre amei a minha avó, ela é a minha mãe, meu pai, é
tudo que mais preciso para viver.
Com o passar do tempo passei
a lembrar do meu passado e quando ia dormir, sempre acordava no meio da noite
com fortes pesadelos, acordava chorando. Comecei senti novamente um aperto
danado em meu coração. Algo estranho se apoderou de mim e dizia que era para eu
acabar com a minha vida, dizia que era a única saída de acabar com o meu
sofrimento era o suicido.
Fui pega minha prima na
escola daí passei no supermercado da praça para comprar o veneno, comprei
Raticida ao qual paguei dois reais.
Antes li todas as
instruções, vi que era muito perigoso, chorei bastante neste dia. Acabei
escrevendo uma mensagem que tenho ate hoje guardada em meu caderno. Ficava
pensando na minha família, nos meus amigos. Tomei banho me arrumei todinha para
ir ao Colégio. Então, tomei o veneno e joguei o copo fora para ninguém dos meus
familiares tocarem.
Fui para o colégio
normalmente como se não estivesse acontecendo nada, cheguei sem falar com
ninguém, neste dia sentei em uma cadeira no canto direito da sala. Abri meu
caderno, encostei a cabeça na parede. Derrepente comecei senti mal. Fiquei mais
desesperada ainda quando minhas amigas ficaram sabendo e começaram a passarem
mal também, por minha culpa. Logo a noticia se espalhou e o colégio inteira já
sabia da noticia. Vinham todos para cima de mim perguntando o porquê eu havia
feito aquilo? Isso só piorou minha situação. Comecei a ficar inchada, meu corpo
ficou vermelho, minha boca começou a sagrar. Levaram-me ao hospital, cheguei lá
desmaiada. Quando acordei estavam
fazendo lavagem estomacal em mim. Nossa era muito ruim e doía muito. Fiquei uma
semana internada.
Quando fui para casa e saia
na rua todo mundo fica me olhando e fazendo chacota da minha cara, ficam me
vendo como se eu fosse de outro mundo. Então pude perceber quem era meus amigos
de verdade neste momento.
Comecei a fazer tratamentos
com a psicóloga e a psiquiatra, pois delirava muito e achar que todas as
pessoas que tentavam suicidar como eu depois de mortas vinham falar comigo,
para mim era real, mas a psicóloga e a psiquiatra disseram-me que tudo aquilo
era coisa da minha mente. Comecei a tomar remédios para consegui dormi e para
me controlar quando começasse a delirar e a ficar nervosa, caso contrario
quebrava tudo em minha frente.
Tomei remédios durante um
ano. Parei, mesmo assim ainda hoje sinto dores fortes no estomago às vezes no
coração, sinto pontadas na cabeça tão fortes que choro, tenho também sintomas
de gastrite.
Se eu pudesse voltar ao
tempo e arrumar tudo eu juro que não teria feito isso, tenho certeza que todos
que já tentaram isso no mundo e não estiveram êxito se arrependeram tanto
quanto eu.
Não gosto de ficar
relembrando desta historia, por que é sofre duas vezes. Sinto muita dor de cabeça.
2 comentários:
Bom trabalho nobre colega das artes, vamos unir forçar pra levar o nome de nossa cidade como referência de cultura.
Parabens José Leopoldo,gosto muito do seu trabalho...Felicidades, espero que você alcançe os seus objetivos!
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