Era uma vez, em uma época distante, tão distante,
(melhor nem dizer a quantidade de léguas que era.) Em um lugar mais distante
ainda, morava um senhor muito corajoso que nada temia. Porem era um homem de
uma boa educação. E quase me esqueci, ele era também o melhor atirador da
região, quanto este sacava a sua carabina o melhor era mesmo nem provocar.
Foi em seu
povoado que a sua fama começou e, daí em tão ficou famoso por ter uma mira
certeira e já mais havia ele errado um tiro, seu nome Geraldo, mais ficou
conhecido como Zé Tiro Certo. Vivia naquele povoado no maior sossego, junto com
sua única filha, Tereza; moça bela de olhos cor de mel despertava os desejos
dos rapazes daquele lugarejo.
Já havia se
passado muito tempo que este havia perdido a sua querida esposa, motivo que o
levou a abandonar o que mais gostava de fazer, que era caçar. E desde então não
atirava mais, despertando os muitos comentários: dizia que ele ficou ruim de
mira, que havia perdido o jeito.
Em certa
manhã, Zé Tiro Certo acordou um pouco atordoado, sentindo muita falta da
esposa. Não quis tomar o café, nem o beijo que já lhe era de costume da na
filha, ele não deu. Levantou e foi sentar em sua cadeira de balanço, sentou e
cruzou os braços na altura do peitoral, empinou o queixo e fixou os olhos para
um ponto qualquer, parecendo está esperando por alguém que com certa não
voltaria mais.
Como já os
disse antes a fama do Zé Tiro Certo havia se espalhado por todo mundo, e em um
lugar não tão distante da li, algo muito estranho acontecia, seu João, um rico
fazendeiro tinha comprado um casal de bois búfalos. E estes dois animais
estavam causando a maior confusão, corria atrás de todos, não deixava ninguém
atravessar a ponte velha que o pessoal tinha para poder ir até a cidade fazer
as suas compras. Já tinha acertado uma chifrada em seu Manuel, o morador mais
antigo do lugar. O rico fazendeiro já tinha feito de tudo para pegar estes
bois, tentava de toda maneira e nada adiantava. Começaram a dizer que os bois
eram encantados e, que quando os vaqueiros saiam para capturá-los, os bois
corriam para bem longe, fazendo até com que os vaqueiros que conheciam aquele
lugar como ninguém se perdesse.
Seu João
não sabia mais o que fazer, triste com os prejuízos e com os acontecimentos,
pediu aos seus vaqueiros e aos moradores que pudessem matar os bichos. Só que todos
os esforços eram em vão, quando eles atiravam nos animais o tiro se espalhava e
não acertava nem um grão de chumbo nos bois. A notícia desses dois bois
encantados se alastrou por todos os lugares. Até um velho sábio, que sabendo de
dota à história dizia ele que desencantaria os bois.
Seu João
decidido a acabar logo com toda esta confusão resolve aceitar a ajuda do velho
sábio, que nada pedi em troca. Seu João tão agradecido quis logo tratar de
desencantar estes bois, pegou o seu cavalo, deu outro para o velho sábio, e
ambos partiram floresta adentro. Isso se passa pela manhã. E quando o Sol já se
escondia, eles apontaram na beira da mata, ambos estavam cabisbaixo e todo
esfarrapados. Tinha corrido a trás dos bois o dia todo e, de nada valera os
seus esforços.
Vendo o
velho sábio que seus esforços de nada valeram, e vendo que a tristeza dominava
na face daquele senhor que se mostrava preocupado com as vidas dos moradores do
local. Surge uma luz:
-
Zé Tiro
Certo! Soa da boca do sábio como se ele fosse à solução imediata.
-
Zé Tiro
Certo, que é este? Pergunta sem entender o seu João.
-
Zé Tiro
Certo é a solução de todo este seu problema. Ele é o maior atirador de todos os
tempos.
-
Vamos já a
procura dele.
Nem
esperaram que o novo dia surgisse, e já saíram à procura de Zé Tiro Certo.
Depois de três dias de caminhada, finalmente chegaram ao povoado onde Zé Tiro
Certo morava.
-
Onde morra
Zé Tiro Certo? Perguntaram para uma senhora que se encontrava sentada a beira
da porta.
-
Logo à
frente.
-
Obrigado,
minha senhora!
Incansável
da longa caminhada, ambos dirigiram-se a casa do Zé Tiro Certo. Chegaram quase
sem fôlego, encontraram seu Zé sentado em sua cadeira de balanço, a balançar.
-
Seu Zé.
Precisamos urgentemente de vossa ajuda!
-
Mas, em
que lhes posso ser útil meus senhores?
-
Seu Zé
Tiro Certo. Estamos a três dias de caminhada, e viemos com a esperança de que a
vossa pessoa possa nos salvar...
-
Os salvar,
de que?
-
De uns
monstros que atormenta o nosso vilarejo. Completa o seu João.
-
Monstros?
-
Sim, sim, ou...
Não, não...
-
Pêra ai,
sim ou não?
-
Não. Quer
dizer sim! Não porque não são monstros.
-
E que
diacho são?
-
São dois
bois búfalos.
O silêncio
se fez presente por alguns instantes, seu Zé Tiro Certo não estava entendendo
nada, seus olhos fitava os dois senhores como se fosse um ponto no meio do céu.
-
E então?
Assim foi quebrado silêncio por seu João.
-
E então,
eu sinto muito, mas nada posso fazer pelos senhores.
-
Por favor,
seu Zé não diga não a uma coisa dessas!
O desespero
era visto nos olhos daquele “podre” homem, que já estava perdendo todas as suas
esperanças, a tristeza agora o dominava. Nos seus olhos não mais existia
brilho. E vendo ele que sua última oportunidade estava perdida, nada mais
restava a não ser desistir e se dá por vencido. Neste momento seu Zé Tiro Certo
ver uma lágrima rolando pelo rosto de seu João. Como seu coração era o mais
puro e bondoso, ele resolve ajuda-los.
-
Está bem
eu irei, mas tenho certeza que não poderei fazer muito pelo seu vilarejo.
-
Mesmo
assim fico muito grato senhor. Nesse momento pode se notar um novo brilho nos
olhos de seu João.
Seu João e
o seu assistente passam a noite na casa de Zé Tiro Certo. No dia seguinte
partem antes do nascer do Sol, pois quanto mais cedo saírem, mas cedo chegaram.
A caminhada como já sabem, são duros três dias, mas como andaram dessa vez um
pouco mais rápida, fez em dois dias e meio. Se não fosse o Sol forte talvez gastassem
até um pouco menos.
Chegaram, e
nem quiseram arriar. Seu Zé Tiro Certo foi o único que desceu, mas, só foi para
carregar a sua carabina. Depois do feito montou novamente e, lá se vão eles
mata adentro.
Esperançoso
todo povo se reúne na capelinha, para rezarem e pedir a ajuda Divina. Os homens
somem nada mais agora resta a não ser esperar.
Tempo
depois lá se vinhas os homens cabisbaixos, com o suor escorrendo pelo rosto, a
tristeza era logo percebida estampada nos seus rostos. Com achegada deles vinha
junto à noite, todos foram descansar.
Na noite
nada mais se ouvia, a não serem os grilos cantando, seu Zé Tiro Certo não
conseguia dormir, seu sono havia se espalhado. Confuso em sem sono, resolve
levantar e ir até a baia a procura de um cavalo. Sai nas pontas dos pés para
não ser percebido, escolhe um dos cavalos, põem a sela no animal. Volta até o
quarto para poder buscar a sua carabina, em seguida sai. É surpreendido pelos
cachorros que começa a latir, despertando o sono de seu João, que assustado
levanta acende o candeeiro, vai até a janela, não vendo nada volta para se
deitar.
Alguns
minutos se passaram, quando seu João e todo o povo da vizinhança acordaram com
um estouro de um tiro, todos os candeeiros iluminavam neste momento. Alguns
acompanharam seu João, que não vendo seu Zé Tiro Certo, logo percebeu que só
poderia ser o próprio a tal acontecimento.
Zé Tiro
Certo tinha atirando em um dos bois, mas vendo ele que o tiro estava pequeno e
não tinha sido capaz de fazer um arranhãozinho se quer no animai, resolveu
recarregar com um pouco mais de pólvora, e umas esferas de aço.
Em seguida,
ouve se outro estouro, dessa vez tão forte que clareou todo o vilarejo causando
o efeito cogumelo. Todos apavorados correram para ver de perto, chegando ao
local nada viram, a não ser um arrastão que se estendia a quase uns três
quilômetros. E ao longe uma voz pedindo socorro, adivinha quem era? Acertou!
Era seu Zé Tiro Certo todo esfarrapado, a sua carabina havia se estourado. Seu
Zé Tiro Certo foi levado para a casa de seu João. Agora você deve está se
perguntando o que aconteceu com os bois. Pois então, contar-te-ei: com um tiro
bem certeiro seu Zé Tiro Certo acabou com a vida de um e, o outro com o passar
do tempo morreu de tristeza.
E naquele
vilarejo seu Zé Tiro Certo passou a ser um herói, todos viveram felizes para
sempre. Bem pelo menos é o que eu acho.
Autor;
José Leopoldo Torres de Albuquerque Filho